Agricultura no Cerrado

2 de outubro de 2017 | Publicado por | Adicionar um comentário

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(Fonte: The Nature Conservancy)

O Cerrado é, depois da floresta amazônica, o segundo maior bioma brasileiro com uma extensão original de cerca de dois milhões de quilômetros quadrados. A área remanescente que permanece preservada corresponde atualmente a cerca de 30% da área original. Sua vegetação é composta por diferentes tipos de formações; a floresta, a savana e os campos, dependendo da altitude dos terrenos, do relevo e da pluviometria – que não é igual em toda a extensa área do bioma. A maior parte de seu domínio, no entanto, tem precipitações pluviométricas que favorecem a agricultura. O solo, por possuir baixa fertilidade e acidez alta, com elevado conteúdo de alumínio e pouca quantidade de nutrientes, requer correção e adubação adequada.

Em 1975 o governo federal instituiu um programa para acelerar o desenvolvimento dos estados de Minas Gerais, Goiás (que à época incluía o atual estado de Tocantins) e Mato Grosso (não existia o estado de Mato Grosso do Sul), através de diversos financiamentos, visando à construção de estradas, silos, armazéns e a pesquisa agropecuária. Neta área, a principal missão da então recém-criada Embrapa Cerrados era desenvolver tecnologia agrícola, de modo a viabilizar a agricultura extensiva no solo pouco fértil do Cerrado. Em pouco mais de uma década, desenvolveu-se na região uma vasta atividade agrícola, baseada principalmente na soja e no milho. Atualmente a região é responsável por cerca de 60% da produção de grãos do país. A atividade agrícola na área do bioma ainda tem bastante espaço para crescimento sem comprometer áreas ainda preservadas. Há 50 milhões de hectares de áreas de pasto pouco aproveitadas, que poderiam ser usadas para a produção agrícola.

Se o solo do Cerrado originalmente não é propício para a agricultura extensiva, há outros fatores que ajudam a degradar a terra ainda mais. É o caso do uso excessivo de pesticidas (alguns proibidos em outros países) e a remoção da cobertura original e exposição da terra às intempéries, provocando erosão e assoreamento dos cursos d’água. São fatores que contribuem para deteriorar o meio ambiente, tornando a atividade agrícola mais custosa.

A convivência de áreas preservadas com a monocultura extensiva e a criação de gado em grandes extensões de terra tem sido difícil durante toda a moderna ocupação do Cerrado. O crescimento do desmatamento é um dos principais indicadores deste conflito. Em 2015 a taxa de desflorestamento do Cerrado foi 52% superior ao da Amazônia, tendo perdido 9.483 km², comparados aos 6.207 km² destruídos da floresta tropical. As maiores perdas de vegetação original de Cerrado verificam-se na área de expansão da fronteira agrícola, conhecida como Matopiba, que abrange os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Ocupando 73 milhões de hectares, a região é a nova fronteira agrícola brasileira e tornou-se grande produtora de grãos e fibras.

O controle aéreo do Cerrado, segundo o ministério do Meio Ambiente, será a partir de agora realizado anualmente, como acontece com a Amazônia. Assim, ainda não existem dados disponíveis sobre o ritmo de desmatamento do bioma. Permanece, porém, o fato de que a legislação permite uma supressão de 80% da vegetação em áreas localizadas no Cerrado, enquanto que na Amazônia Legal esta é de apenas 20%, em zonas florestais. É preciso que se estabeleçam limites de desmatamento mais baixos para o Cerrado.

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Sobre o autor (Perfil do autor)

Consultor em inteligência de mercado, marketing e negócios no setor de meio ambiente. Jornalista ambiental e escritor, tem especialização em gestão ambiental e sociologia. Graduado e pós-graduado em filosofia. Atua no setor de sustentabilidade desde 1992, trabalhando em instituições internacionais. Articulista, escreve para diversas mídias sobre meio ambiente, gestão pública, energia e temas culturais. Coordenador e coautor de diversas publicações sobre meio ambiente e energia, também é autor dos livros "Como está a questão ambiental? 100 artigos sobre a relação do meio ambiente com a economia e o clima" (2011); "A cidade e os recursos" (2013) e "A religião e o riso & outros textos de filosofia e sociologia" (2013). É editor dos blogs "Da natureza e da cultura" (www.danaturezaedacultura.blogspot.com.br) e "Considerações Oportunas" (www.consideracoes-oportunas.com.br).

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