Saneamento básico no Brasil e no mundo

24 de janeiro de 2018 | Publicado por | Adicionar um comentário

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(Source: Caixin Global)

Cerca de 4,5 bilhões de pessoas em todo o planeta ainda não têm acesso ao saneamento básico. Os dados fazem parte de um relatório recentemente publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Os números refletem a situação da maior parte dos países pobres e em desenvolvimento, nos quais parte significativa de seus habitantes, que juntos perfazem cerca de 60% da população mundial, ainda não dispõem de acesso regular a tratamento de água e/ou esgoto. Com relação à água, ainda são 2,1 bilhões de pessoas – 27% dos habitantes do planeta – que têm não são atendidos por suprimento de água potável. Atualmente, ainda cerca de 600 milhões de pessoas compartilham latrinas com estranhos e quase 900 milhões não dispõem de qualquer tipo de instalação sanitária.

Em setembro de 2000 a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou a Declaração dos Objetivos do Milênio, documento assinado à época por 191 países. Concordaram estas nações, incluindo o Brasil, em envidar esforços com o objetivo de melhorar a situação em oito principais áreas, chamados de Objetivos do Milênio (ODM); uma das quais – a sétima – melhorar o saneamento básico. O prazo para o cumprimento das metas foi acordado para o ano de 2015.

Em relatório publicado em 2015, a ONU comunicava que de maneira geral, em quase todas as regiões em desenvolvimento (o relatório não cita países), ocorreram avanços em todas as sete áreas do programa; mais em algumas e menos em outras. Especificamente em relação ao saneamento, houve um avanço na oferta de água potável, que disponível para 76% da população mundial em 1990, chegava a 91% em 2015. Dos 191 países que implantaram o programa, 95 conseguiram atingir metas de melhoria no saneamento básico. No entanto, ainda havia muito por fazer na maior parte das nações. A crise econômica, que afetou a economia mundial a partir de 2008, atingiu especialmente os países pobres, limitando seus recursos disponíveis para investimentos em infraestrutura, especialmente saneamento.

Por isso, ainda em 2015, a ONU lançou um novo programa, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esta nova edição do programa anterior é composto por 17 metas, das quais a sexta tem por objetivo assegurar saneamento básico (água e esgoto) para toda a população mundial, até 2030.

O Brasil é um dos países com o mais baixo nível de saneamento na América Latina. Segundo a ONG brasileira Trata Brasil, o país ainda possui mais de 100 milhões de cidadãos (50,3% da população) sem acesso à coleta de esgotos e somente 42,6% do volume do esgoto coletado é tratado (dados de 2013). No mesmo ano ainda havia 35 milhões de pessoas sem acesso à água, fornecida por rede de abastecimento. Na média do país, as perdas de água nas tubulações de abastecimento eram de 37%.

Segundo dados do Banco Mundial, publicados na década passada, o país precisaria investir cerca de 25 bilhões de reais ao ano, para atingir a meta de universalização do saneamento até 2030. Mesmo nos melhores anos do governo Lula com o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) I e II, os investimentos não chegaram a estes patamares. Dados publicados recentemente pelo governo indicam que em 2017 o governo reduzirá em 50% os recursos destinados à infraestrutura através do PAC. Será possível a universalização do saneamento em 2030?

Arquivado em: Sustentabilidade

Sobre o autor (Perfil do autor)

Consultor em inteligência de mercado, marketing e negócios no setor de meio ambiente. Jornalista ambiental e escritor, tem especialização em gestão ambiental e sociologia. Graduado e pós-graduado em filosofia. Atua no setor de sustentabilidade desde 1992, trabalhando em instituições internacionais. Articulista, escreve para diversas mídias sobre meio ambiente, gestão pública, energia e temas culturais. Coordenador e coautor de diversas publicações sobre meio ambiente e energia, também é autor dos livros "Como está a questão ambiental? 100 artigos sobre a relação do meio ambiente com a economia e o clima" (2011); "A cidade e os recursos" (2013) e "A religião e o riso & outros textos de filosofia e sociologia" (2013). É editor dos blogs "Da natureza e da cultura" (www.danaturezaedacultura.blogspot.com.br) e "Considerações Oportunas" (www.consideracoes-oportunas.com.br).

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